sexta-feira, 11 de maio de 2012

Marta Bellini


sexta-feira, 11 de maio de 2012


A pensar ...

O regresso do fascismo por Rui Bebiano, Portugal

Lê-se num instante este pequeno livro do filósofo e ensaísta holandês Rob Riemen. Com ele passamos em revista, de forma clara e informativa, como num manual de instruções, o modo insidioso como o fascismo – tomando outros nomes, invocando até a liberdade, a igualdade de oportunidades e a democracia – se tem vindo a instalar nas nossas consciências narcotizadas pelos média, preparando o terreno para novas formas de sujeição. Mais traiçoeiras, menos espetaculares, mas não menos escravizantes e violentas do que aquelas que na primeira metade do século passado foram aplicadas pelos protótipos italiano e alemão. Lembra a dada altura Riemen que o fascismo con­temporâneo «resulta, mais uma vez, de partidos po­líticos que renunciaram à sua tradição intelectual, de intelectuais que cultivaram um niilismo com­placente, de universidades que já não são dignas desse nome, da ganância do mundo de negócios e de mass media que preferem ser ventríloquos do público em vez de o seu espelho crítico», notando serem justamente estas elites corrompidas que alimentam o vazio espi­ritual que serve de caldo de cultura à sua expansão. O Eterno Retorno do Fascismo é um brado de alerta e um estímulo à crítica do acriticismo que vai chocando o ovo da serpente. Deve por isso ser lido com a etiqueta de urgente.

Rob Riemen, O Eterno Retorno do Fascismo. Bizâncio. Trad. de Maria Carvalho. 78 páginas. Ver também uma recente entrevista dada pelo autor ao ionline.


sexta-feira, 11 de maio de 2012

Ainda a Grécia ...

Grécia, no dia seguinte por Joana Lopes, Portugal



Os gregos votaram ontem «com o coração e com as vísceras», como leio em El País. Chegados ao ponto em que se encontram, foi mesmo disso que se tratou, mas desengane-se quem julgue que deixaram a cabeça em casa.
Muito claramente, ou se abstiveram (o que é grave mas compreensível e expectável dado o desencantamento com partidos e com política, bem patente nos últimos tempos), ou condenaram, expressivamente, a política de austeridade extrema a que estão submetidos, castigando o centro e fazendo crescer «as pontas» – para além do esperado, é certo. Se é de lamentar, e de olhar com extrema preocupação, que a extrema-direita tenha conseguido eleger 21 deputados, saudemos (eu saúdo…) o Syriza (não anti-europeísta) que vai ter 52.
Por mais que veja a grande e comovente felicidade dos que ontem embandeiraram em arco a vitória de Hollande (e, sim, ela foi importante porque correu com Sarkozy e introduzirá alguns paus na engrenagem europeia), ninguém me convence que não foi muito mais importante o que aconteceu na Grécia, com todos os riscos implicados no que vai seguir-se. Arriscada está a Europa e esta pedrada no charco só pode fazer-lhe bem.
Alguns comentários:
1 - Quebrou-se a alternância no poder (Nova Democracia / PASOK), essa pecha dos regimes parlamentares em que vivemos. Página virada e digo apenas: «Aleluia!»
2 - Lamente-se a reacção imediata de rejeição, por parte do Partido Comunista, ao apelo do líder do Syriza para uma tentativa de coligação da esquerda.
3 - Registe-se a pressa do PASOK em propor a união de todos os que apoiam o Memorando com a União Europeia. Não aprende, apesar de ter perdido cerca de 2/3 dos votos.
4 - Entre nós, sublinhe-se o silêncio significativo sobre a Grécia (no Facebook foi / é flagrante), por parte dos grandes entusiastas da vitória de Hollande. Não cheguei a perceber o que esperavam ou desejavam: muito provavelmente uma vitória do PASOK, com a Nova Democracia em segundo lugar e uma maioria garantida por ambos no Parlamento, certamente nunca que o que se passou com o Syriga.
Sobre tudo isto, apetece-me para já dizer, como o outro: «Pois é, habituem-se!»
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