domingo, 19 de fevereiro de 2012

Gilles Lapouge, profissional experimentado. Sabe o que escreve.

Um complô contra o papa Bento XVI

Domingo, 19 de Fevereiro de 2012, 03h06
GILLES LAPOUGE O papa Bento XVI será assassinado. Quando? Nos próximos 11 meses.

Este diálogo parece fazer parte de um desses romances fantásticos que os americanos adoram, do gênero O Código da Vinci, de Dan Brown, ou então, subindo um pouco na hierarquia literária, no estilo O Nome da Rosa, de Umberto Eco.

No entanto, a notícia não tem nada de romanesco. E não data da Idade Média. Ela é atual e não é imaginária. Há três dias o jornal italiano Il Fatto Quotidiano trouxe a manchete: "Dentro dos próximos 12 meses o papa vai morrer".

Para melhorar ainda mais a informação, ficamos sabendo que a descoberta desse plano foi do arcebispo de Palermo, na Sicília, cardeal Paolo Romeo, que ouviu rumores neste sentido quando fez uma viagem recente à China.

Assim, passamos do medíocre romance de Dan Brown para um outro modelo de ficção, de melhor qualidade, como O homem que veio do frio, de John le Carré, ou James Bond, de Ian Fleming.

No Vaticano, ninguém nega a existência de um documento assinado do cardeal Dario Castrillon Hoyos relatando esses projetos de assassinato, mas não os levam a sério.

"Não, o papa não está ameaçado. Essas informações não têm fundamento."

Contudo, mesmo que sejam falsos e imaginários, esses ruídos não são inocentes. Servem a alguém ou alguma coisa. E confirmam que o fim de reinado do papa Bento XVI, gentil, teológico e envelhecido, constitui um terreno favorável para as especulações e também as manobras envolvendo a sua sucessão.

Não vamos ter a arrogância de achar que conhecemos a solução do enigma. Inquirir o Vaticano é uma missão desesperadora. Como conhecer uma verdade nesses edifícios seculares interrogando batinas vermelhas ou violetas, escutando confidências tão serenas, tão belas e inteligentes que parecem silêncios.

Um nome surge em todos os discursos referentes a esse problema cada vez mais urgente, que é a sucessão do papa. É o do cardeal Tarcisio Bertone, o número dois do Vaticano, secretário de Estado de Bento XVI.

Um homem de 77 anos, suspeito de ter influenciado o papa a nomear cardeais algumas pessoas muito próximas dele, Tarcisio.

Para o especialista em assuntos ligados ao Vaticano Iacopo Scaramuzzi, "Bento XVI provavelmente compreendeu que fez uma má escolha ao confiar a Secretaria de Estado a Bertone, mas é tarde. Ele não vai mudar sua decisão no momento".

Mas contra o cardeal Bertone um outro homem lança suas flechas, denuncia a corrupção dentro da secretaria. Trata-se do arcebispo Carlo Maria Vigano, ex-secretário de Estado do Vaticano, que foi substituído por Bertone e em seguida enviado pelo próprio Bertone para a Nunciatura de Washington, um posto de prestígio, porém distante de Roma.

O papa Bento XVI é um homem justo, um pouco eclipsado pela figura excepcional do seu predecessor, João Paulo II, e, na sua idade avançada, precisa administrar uma instituição magnífica, de quase 2 mil anos, arruinada por escândalos recorrentes: corrupção, lavagem de dinheiro, problema de integristas, pedofilia, entre outros.

Ele não se manifestou sobre esses tristes casos. O L' Osservatore Romano, órgão do Vaticano, assim se manifestou em 14 de fevereiro: "Em matéria de inovação e purificação, justiça será feita ao pontificado de Bento XVI, este pastor indulgente que não conspira no meio dos lobos". / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO